O PRÊMIO - CAPÍTULO II - PARTE 1
CAPÍTULO II (PARTE 1)
Ao acordar na manhã seguinte, querendo mais, Eriberto procurou por Kátia ao seu lado na cama e não a encontrou, ela já havia ido embora, então pensou que tudo tinha sido um sonho, e foi ficando na cama curtindo cada momento daquela noite muito real e muito cheia de prazer e gozo, o que ficava bem claro devido ao cheiro do perfume de Kátia misturado ao cheiro de sexo, que ainda estava nos lençóis e por todo o quarto. Era um cheiro delicioso de mulher gostosa, tarada que não tinha limites na cama, topava de tudo, cheiro de sexo bem feito, com tesão. Só não entendeu porque ela havia ido embora sem se despedir, queria mais muito mais daquela mulher, queria morrer gozando naquele corpo quente de mulher faminta.
Quando se levantou encontrou em sua cômoda um bilhete, escrito com batom vermelho, que dizia: “a noite foi uma delícia, você é muito gostoso. Te adorei, meu gato. Entro em contato mais tarde”. Sorriu, foi tomar um banho, nesse momento se sentiu o cara, e viajou com as lembranças da transa que tiveram, e cantava com muita alegria e felicidade em comemoração, aproveitou para, sozinho, curtir um pouco mais aquela transa, tocou uma punheta e gozou como um louco novamente.
Parecia outro homem ao sair para ir até a padaria buscar alguns pães, estava com fome, encontrou algumas pessoas, que cumprimentou com sorrisos e abraços, não se continha, se tivesse ganhado na loteria com certeza não estaria tão feliz, transar com Kátia era mais que qualquer prêmio da loteria. Ao retornar para casa, enquanto tomava café, pensou nas coisas que Kátia havia lhe contado, no bar, na noite anterior, sorriu novamente achando que tudo era brincadeira, sacanagem, desculpa para ver se ele realmente era macho, sorriu e pensou “agora ela sabe que eu sou dos bons, vai querer muito mais. Eu sou o cara” .
Ele sabia que a situação realmente não estava muito boa na fábrica e que não recebeu seus direitos por isso. Pensava também no Sr. Clóvis, que era uma pessoa de muito respeito, quase não acreditava que Kátia havia mesmo tido um caso com ele, que tinha uma bela família e parecia não precisar e não querer procurar mulheres na rua, não se encaixava no seu jeito ou no jeito que Eriberto projetava nele.
Não achava que Kátia falava a verdade quando dizia que queria matá-lo. Toda mulher na raiva diz que mata. Ao mesmo tempo temia que fosse verdade o que ela falava, de uma coisa tinha certeza não poderia resistir a um pedido daquela mulher com quem tinha sonhado durante toda sua vida, mesmo que ela pedisse que matasse um homem.
Os pensamentos estavam confusos, tinha medo de nunca mais ver Kátia, que havia dominado seus pensamentos durante todo o dia, ele mal saía de perto do telefone, numa tortura sem fim, mas o telefone não tocou nenhuma vez. Desesperado, como um adolescente que viveu sua primeira transa, Eriberto procurou em sua agenda o número do telefone de Kátia, mas não o encontrou, sabia que não o tinha, mesmo assim folheou várias vezes a agenda, dessa forma o dia passou e passou também a semana, parecia que tinha passado um ano. Tudo muito longo.
Sábado quando voltava da pelada com os amigos, ouviu o telefone tocar, saiu correndo feito um louco para entrar em casa, nem se despediu direito dos caras que o acompanhavam causando espanto em todos. Ao atender o telefone a surpresa, era Kátia, que queria vê-lo naquele dia, parecia apressada, Eriberto não se continha, nem percebeu o afobamento de Kátia, e meio fora de si, com as pernas bambas, marcou encontro para daí a duas horas no mesmo bar do primeiro encontro.*
Como no outro encontro Eriberto chegou mais cedo e esperava Kátia com muita aflição, estava impaciente, andava de um lado para outro, como um adolescente se sente no primeiro encontro com uma mulher de sua vida, sua mão suava, estava fria, seus pensamentos estavam confusos, meia hora depois chega Kátia linda, com um vestido curto que deixava suas lindas e deliciosas coxas mais lindas ainda e bem à mostra, excitante, seus seios ainda mais volumosos e empinados, como uma artilharia anti-aérea a apontar para o céu e derrubar os inimigos, se aproximou e beijou-o longamente, um beijo molhado de língua, desses que tiram o cara do ar e depois quando ele volta não responde mais por seus atos. Não deram uma palavra até se sentarem e Eriberto perguntar:
“Porque você sumiu? Estava com muita saudade e vontade de te ver novamente, tentei te localizar e não consegui, você nem me deixou seu telefone”.
Ela o olhava quase que sem expressão, tamanha sua frieza, enquanto ele dizia o quanto a amava e desejava, que aquela noite tinha sido a melhor noite de sua vida. Ela o cortou com uma pergunta seca, sem dar ouvidos ao que ele dizia:
“Pensou no que te propus outro dia?”
Esse tom frio e objetivo fez com que a expressão facial de Eriberto mudasse, seu sorriso se apagou e sem saber o que responder ou se lembrar o que ela havia lhe falado, pois somente se lembrava do sexo, perguntou:
“O quê?”
“Na proposta que te fiz de me ajudar a matar o Clóvis e ficarmos com a grana do seguro, se liga cara!”
Estava fria, Eriberto não se importou com isso, depois da noite que tiveram estava louco para tê-la novamente, achou que aquele papo era furado e gaguejando respondeu:
“Na-não. Só pensei em você nesses dias, queria muito estar com você de novo, estou apaixonado e pensei que você não falava sério, só quero você”.
“Eu nunca brinco!- disse-lhe Kátia com voz grave- tudo que lhe falei é verdade, quero receber o que é meu de direito, aturei aquele cretino durante tanto tempo, em cima de mim, me fazendo de reservatório de suas sujeiras, me usando como bem queria e nunca tive compensação nenhuma, agora vai ser feita justiça, aquele canalha vai me pagar! – e continuou – Também estou apaixonada por você, nunca tive um homem tão delicioso como você, você é tudo de bom, meu amor”.
Essa última frase deixou Eriberto sem chão, felicidade era pouco para o cara, se sentiu o macho dos machos, quis pegá-la ali mesmo e saciar o seu desejo mais profundo naquela mesa de bar e ali deixar marcado o seu insano desejo por Kátia mas se conteve, com dificuldade, diga-se, e comentou:
“Realmente acho que você merece todo o ouro do mundo, você é uma mulher linda, gostosa na cama, mas não sei se teria coragem de pegar em uma arma e matar um homem que nunca me fez nada, eu realmente não conseguiria, aliás eu nunca peguei em uma arma e acho que não gosto da idéia de pegar em uma”.
“Nem por mim?” – perguntou Kátia fazendo cara de mulher carente.
Eriberto pensou por um instante e a olhando dentro dos olhos respondeu:
“Pode ser, mas preciso de tempo para digerir a idéia”.
E como na outra noite conversaram, beberam muito, se beijaram como jovens namorados, que se beijam pela primeira vez, curtiram cada momento naquele bar, depois foram para uma boate que funcionava no centro da cidade, onde dançaram a noite toda, muito felizes, Eriberto dançava como nunca havia dançado, pois tinha muita vergonha não sabia dançar, realmente era péssimo, mas a felicidade e o álcool não deixava que ele percebesse que sua dança era ridícula, estava em êxtase e bêbado. Depois da noite de bebida beijos e dança, mais uma vez Eriberto pode sentir o gosto de Kátia, em sua boca, ao beijá-la toda, transaram como animais nesse fim de noite até caírem exaustos, sem forças nem para um último beijo de boa noite ou bom dia, quem se importava com isso nessas alturas?
(PRÓXIMA PUBLICAÇÃO SÁBADO 26/07/08) OBRIGADO E DESCULPE O ATRASO.
Escrito por celso ciampi medeiros às 11h49
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DIFICULDADE TÉCNICA
PEÇO DESCULPAS AOS LEITORES QUE ESPERARAM A PUBLICAÇÃO DE SÁBADO, MAS TIVE PROBLEMAS COM MINHA CONEXÃO E NÃO FOI POSSÍVEL PUBLICAR. PARA MANTER O CALENDÁRIO A PRÓXIMA PUBLICAÇÃO SERÁ SÁBADO DIA 19/07, COM A PRIMEIRA PARTE DO CAPÍTULO II. AGRADEÇO A COPREENSÃO DE TODOS E MAIS UMA VEZ ME DESCULPO PELO PROBLEMA. OBRIGADO!!
Escrito por celso ciampi medeiros às 09h33
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O PRÊMIO - CAPÍTULO I - PARTE 2
CAPÍTULOI (PARTE2)
Incrédulo mas quase se sentando novamente ele perguntou:
"De onde vai sair a grana? Isso é muito dinheiro e você não tem isso pelo que sei, nem que juntasse tudo o que ganhou em sua vida.
"Enquanto éramos amantes, Clóvis fez um seguro de vida que me beneficia esse seguro ainda não foi cancelado pelo que sei. Ele me disse, na época, que esse dinheiro ia servir para eu não passar necessidade em caso de sua falta, ficaria numa boa". - Explicou ela.
O rapaz um pouco mais interessado, e já se sentando, pediu outra cerveja e falou:
"Mas se ele faltasse a empresa não teria problemas em continuar funcionando, ninguém passaria por dificuldades eles são muito ricos, podem fechar aquilo se quiserem e ainda viver muito tempo com o dinheiro que têm".
Pegando alguns papéis em sua bolsa Kátia explicou:
"Você que pensa, meu amor, nesses papéis que tenho comigo, estão a prova de que a empresa está a beira da falência, devido à concorrência dos estrangeiros e problemas administrativos, como dizem os empresários, eu chamo de incompetência mesmo, as vendas caíram e a empresa só tem acumulado dívidas, inclusive dívidas da família. Há muito a empresa não paga aos fornecedores e outros compromissos, por isso se você ganhar na justiça não receberá nenhum tostão, pelo menos no curto prazo".
Continuou explicando enquanto Eriberto verificava os documentos para se certificar que tudo era verdade, estava aceitando o que Kátia lhe falava e se interessava cada vez mais no assunto. Pensava também que com esse dinheiro poderia viajar por um tempo até que as coisas esfriassem e até passar um período fora do país como um novo rico desses que vemos por aí.
Muitas cervejas e explicações depois, Kátia pagou a conta, como havia combinado, e quando saíam Eriberto convidou-a para ir até sua casa para que pudessem conversar mais sobre o assunto ela aceitou o convite dizendo que era tarde para uma moça chegar em casa sozinha, que tinha medo e coisas assim, fazendo-se de boba, um certo charme perverso.
Eriberto pensava que com a ajuda do álcool aquela delícia de mulher seria uma presa fácil, ficaria mais macia e mansa e realizaria seu sonho de muitos anos de comê-la. Chegando em casa não houve muito papo e Eriberto pôde finalmente realizar seu sonho, foi uma noite que superou suas expectativas, aquela mulher, a mais gostosa de todas, foi sua de todas as formas. Dormiu feliz.
(PRÓXIMA PUBLICAÇÃO SÁBADO DIA 12/07/08) OBRIGADO
Escrito por celso ciampi medeiros às 11h20
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O PRÊMIO - CAPÍTULO 1 - PARTE 1
CAPÍTULO I (PARTE 1)
Há três dias que não parava de chover e Eriberto não saía de casa, estava frio, e, ainda por cima, estava desempregado, como muitos outros brasileiros, e sem dinheiro não tinha muitas opções para se divertir, pois tudo nessa vida custa dinheiro e sem dinheiro não se consegue muito. Estava sem perspectiva profissional tinha pouco estudo, não havia sequer terminado o segundo grau, não tinha nenhuma qualificação profissional, trabalhava como auxiliar de serviços gerais em uma pequena empresa, era um bom emprego por assim dizer ganhava um salário razoável, podia curtir.
Era início de tarde, estava triste e deprimido, a televisão ligada, passava um filme ou outro programa qualquer não prestava atenção, sua cabeça estava longe demais naquele momento. Pensava ainda no tempo em que trabalhava, ganhava um salário vivia bem, sem luxos, mas tinha tudo, era solteiro com despesa pequena. Tinha alguns amigos, mulheres, saía todo fim-de-semana, ia a bailes, bares e boates, não aos mais chiques, da moda, mas onde o dinheiro dava. Tinha um fusca 1977 que era seu xodó, fruto de muitos anos de economias e para quem destinava boa parte de seu salário, o carro era todo equipado com rodas de magnésio, pneus largos, e um som muito potente, gostava de ouvir desde sertanejo até funk. Nesse carro Eriberto se sentia o maior, tirava alguns pegas, mas não vencia nenhum, o carro não ajudava, levava garotas para o mirante, o grande motel a céu aberto da cidade onde não se gastava nada e ainda tinha uma vista maravilhosa das montanhas de Minas, como ondas no mar, era desconfortável também, mas o que fazer? Era isso ou não comia ninguém. O carro foi vendido dois meses depois que Eriberto perdeu o emprego, foi um dia muito triste, que Eriberto nunca se esqueceu, seu , tudo que ele tinha foi embora, mas é a vida, sem grana sem carro, é preciso comer e continuar vivendo, carro com o tempo se compra outro, impossível saber o que era mais duro ficar sem o carro ou estar sem emprego, dúvida cruel na cabeça de um jovem cheio de tesão e duro.
Pensava também em Kátia, uma deliciosa ex-colega de trabalho, muito simpática, linda,era a mulher mais gostosa que ele conhecia, mas que nunca havia lhe dado muita bola. Imaginava que se fosse rico ou apenas com um pouco mais de dinheiro, tivesse um carro melhor, aquela mulher estaria ali com ele naquele momento se deliciando com as sacanagens que ele gostaria de fazer com ela, tinha uma mente fértil. Entre um pensamento e outro cochilou um pouco, mais ou menos por duas horas, como acontecia quase todos os dias em que ele ficava em casa, nos dias que ia procurar emprego chegava tarde, já alta noite era o tempo de tomar um banho e dormir às vezes nem comia nada de tão cansado.
Esse era mais um dia como todos os outros, desde que perdeu seu emprego na Tecelagem Inbrafil, uma das maiores empresas de Juiz de Fora, onde morava, no bairro Dom Bosco, quem trabalhava lá tinha o respeito e sofria com a inveja das pessoas, pois era uma empresa tradicional da cidade, pagavam-se salários um pouco maiores que a média e pertencia a uma família tradicional. Mas houve um corte de funcionários e o motivo alegado foi que os tecidos chineses, sempre eles os grandes culpados de tudo, estavam mais baratos e a fabrica não suportava a concorrência, estava perdendo mercado ano a ano, quem sofre sempre são os funcionários quando não se consegue ser competitivo. Se é preciso rentabilidade demite, se precisa reduzir custos demite, só se fala em demissão, nenhum empresário fala em vender seu carro, seu sítio ou qualquer outra coisa, só demitir é mais fácil.
Mergulhado em seus pensamentos e sonhos, Eriberto nunca imaginaria o que estava para acontecer naquele dia, mas como a vida é um festival de surpresas basta estar vivo para tê-las, o telefone tocou, ainda recebia chamadas, não podia fazer ligações, estava sem crédito, atendeu com uma voz quase inaudível, de quem havia dormido pesado e tomou um susto quando ouviu do outro lado a maravilhosa Kátia com uma voz de mulher no cio que o cumprimentou, perguntou como ele estava, já emendando com um convite para saírem, ir a um bar e bater um papo, tomar uma cerveja, ela também havia perdido seu emprego mais ou menos na mesma época de Eriberto que neste momento estava petrificado, seu sangue gelou, estava gelado, não sentia seus batimentos cardíacos, de tão rápido que seu coração batia, o chão havia sumido em baixo de seus pés. Ainda sem conseguir encaixar as palavras direito, não acreditando no que estava acontecendo, falava tudo desconexo, disse entre outras coisas que sentia muito mas a grana que tinha não era suficiente para pagar sequer um copo d’água, mas Kátia insistiu e se propôs a pagar a conta, ele se beliscou e ainda sem entender nada direito topou. Combinaram de se encontrar em um bar, no Alto dos Passos, mas não no meio da muvuca e sim em um lugar mais afastado, na realidade um boteco pouco freqüentado, às nove horas da noite.
Ainda tomado pelo susto e eufórico com o convite Eriberto tomou um banho demorado muito demorado, se lavou como nunca antes, cada pedaço de seu corpo mereceu atenção especial, depois vestiu sua melhor roupa, de uma marca muito conhecida, comprada, quando ainda trabalhava, em uma loja das mais caras da cidade, paga em muitas prestações. Pegou alguns trocados, quase os últimos, para pagar o ônibus, podia ir a pé, mas queria chegar bem cheiroso, sem suor, ao encontro, fazer um bonito, e se pôs a caminho do maior encontro de sua vida, ainda sem compreender direito porque ele, um cara que não tinha nada a ver com os homens com quem Kátia andava quando eram colegas na fábrica, eram todos bem de vida com carros novos, grana, mas em todo caso estava pagando para ver qual era, a bem da verdade quem ia pagar a conta era a Kátia, não ia custar nada mesmo. Chegou quinze minutos antes do horário combinado, um inconveniente de quem anda de ônibus ou se chega adiantado demais ou atrasado demais.
Esperava com impaciência, suas mãos suavam frio, suas pernas, estavam trêmulas, estava ainda sob efeito do susto tomado horas antes quando recebeu o delicioso e misterioso telefonema, dentre todos os seus pensamentos, ainda confusos um era recorrente: “ o que será que essa mulher quer comigo?” Sabia que não era um homem bonito e nem desejável a tal ponto de uma mulher como aquela telefonar e chamar para sair e ainda por cima pagar, pensou na sorte e prometeu que depois disso ia jogar na sena, quem sabe estava prestaes a ficar rico?
Tinha duas alternativas, pensava: ficar e ver no que ia dar aquele encontro, até horas atrás improvável, impossível, ou sair correndo, tomar um tombo se ralar todo, acordar do sonho daquela tarde e cair na real, quando essa alternativa começava a ganhar força, suas pernas pronta para começarem a correr, Eriberto viu que Kátia se aproximava, já não podia e nem queria mais ir embora, olhou as horas e seu relógio marcava exatamente nove horas, Kátia era pontual e isso era interessante e altamente difícil em mulheres, tudo muito estranho. Um sonho. Não houve muito tempo para mais pensamentos sobre a beleza ou riqueza. Kátia se aproximou deu três beijos em Eriberto e convidou-o para entrar no bar, escolheram uma mesa bem no canto, escondida, pediram uma cerveja e uma porção de batatas fritas ao garçom, quando este se foi, Kátia começou a falar de sua vida, contou que tinha sido muito sacaneada na fábrica pelo ex-patrão Sr. Clóvis Ribeiro, contou também que manteve com ele um caso durante oito anos, tempo em que permaneceu na empresa, estava furiosa, quase possessa, tinha momentos em que alterava até o tom de sua voz, xingou muito, palavrões muito baixos, o patrão e amante, Eriberto não entendia muito bem aquele comportamento, pois nunca observara nenhum traço de anormalidade em Kátia, que até chorou em um determinado instante. Eriberto tentava consolar Kátia, ao mesmo tempo em que pensava porque aquela mulher que em anos de convívio na empresa, nunca tinha trocado mais do que um bom dia ou se muito um pequeno bate papo entre outros funcionários no café, de repente se abria com ele daquela forma, como se ele fosse um amigo íntimo, daqueles de muitos anos de fé mesmo.
Rolaram muitas cervejas e muitas lamentações de ambos os lados e Kátia já meio alta começou a falar mais soltamente com Eriberto:
“Sei que você está desempregado a quase um ano, está passando por dificuldades, então resolvi te procurar, porque todos os que foram mandados embora foram e estão sendo muito sacaneados para receber os direitos e você especialmente está muito magoado, pois sempre foi muito prestativo e não se conforma com isso”.
Eriberto ainda não entendia nada, perguntou curioso:
“Mas o que tem isso haver com essa noite? Não quero mais pensar nisso, os problemas estão sendo resolvidos na justiça, é triste mas o que fazer?”
Ela emendou sem responder à pergunta:
“Já te explico - E sua face mudou, ficou fechada com ar grave, sua voz ficou mais firme, dura – você vai pensar que estou brincando, mas é muito sério. Preciso de sua ajuda para matar o Clóvis, achei que você seria a pessoa ideal para o trabalho, acredito muito nisso”.
Sem acreditar Eriberto se levantou querendo ir embora e atônito disse:
“Não sou assassino! O que a faz me tirar de casa com esse tempo, essa chuva miserável, e me propor uma coisa absurda dessa?”
Muito fria, Kátia respondeu:
“O fato de você ter passado humilhações e ter que ir à justiça para receber seus direitos, cara”.
Ainda de pé, um pouco afastado da mesa e muito amedrontado Eriberto respondeu:
“Na justiça vou receber tudo o que tenho direito, pode até demorar um pouco mas vou até receber um pouco mais, não tenho mais nada a cobrar daquela gente, isso não é motivo para matar ninguém!! Nem sou assassino, nunca peguei em arma, como você me propõe uma coisa dessas, vai embora, me deixa em paz”.
Ela enfurecida:
“Seu trouxa quanto você irá receber por esses anos todos? Deve ser uns cinco ou seis mil reais, uma mixaria, fora as humilhações e a perda de tempo de ter que ir à justiça a cada audiência, enquanto isso você vai viver de que?”.
“Não! - respondeu cabisbaixo- Vou receber três mil e quinhentos reais, pois a minha carteira era assinada com um valor abaixo do que eu realmente recebia e mais um pouco por horas extras essas coisas que a gente pede quando vai à justiça, deve dar ao todo uns cinco mil”.
Com um brilho negro nos olhos, Kátia falou com um tom mais alto de voz como que tentando prender a atenção de Eriberto que permanecia de pé, mas nesse momento um pouco mais calmo, pois achava que tinha a situação sob controle:
“Estou falando de um milhão de reais, seu estúpido. Isso não muda sua vida? Você já viu essa grana toda?”
*(PRÓXIMA PUBLICAÇÃO SÁBADO DIA 05/07/08) - OBRIGADO
Escrito por celso ciampi medeiros às 09h27
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